sexta-feira, 13 de abril de 2007

O Triunfo da Vontade


O titulo do documentário era de inspiração nietzscheana. Foi sugerido a Leni por Hitler em pessoa. Baseava-se no clássico livro do pensador, morto em 1900, e que era admirado por Hitler: o Wille zur Macht (A Vontade do Poder). Tratava-se da afirmação literária e filosófica do efeito da força de vontade e da busca do poder pelos homens determinados. As imagens mostradas ao mundo em 1 hora e 49 minutos de projeção pelas múltiplas câmeras de Leni eram impressionantes, fascinantes e assustadoras.

Milhares de militantes vindos de todas as partes da Alemanha, trajando uniformes impecáveis da SA e da SS, empunhando suas bandeiras e suas insígnias, organizados e enfileirados como autômatos, marchando ao som dos clarins e ao rufar dos tambores marciais, prestavam sua homenagem fanática ao pequeno homem-deus, ao salvador que, depois de desfilar por entre 200 mil partidários em silêncio respeitoso, ascendeu à tribuna imperial do estádio tal como um messias moderno, como se fosse um Moisés trazendo as tábuas sagradas da nova lei. As tomadas de Leni, frenéticas, percorriam tudo. Dos rostos dos milicianos à cruz suástica fixada nas enormes bandeiras que se desprendiam do alto do estádio, dali para um close sobre os taróis. Então, colocada em um elevador atrás do palanque de Hitler, filmava a impressionante caminhada do Führer em meio ao povo fardado e disciplinado.

Foi um assombro. Tratava-se de um épico do movimento nacional-socialista, no qual a massa e seu guia tomavam o poder na Alemanha em meio a um júbilo marcial e patriótico, filmado como se fora uma coreografia megalomaníaca de Richard Wagner.

A reunião anual do NSDAP (Partido nacional-socialista alemão) realizada em 1934 revelou-se extraordinária não pelo acontecimento em si, porque os nazistas já haviam feito outros colossais comícios de massas, mas pela excelência do documentário que a registrou. Pode-se dizer que Der Triumph des Willens (O triunfo da vontade, seu título), dirigido e montado por Leni Riefenstahl, ficou sendo uma das poucas coisas que, no que se refere à estética moderna, perdurou daquele triste regime.

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